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Gaivota, Cante (Add Vocal)
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Gaivota, Cante (Add Vocal)

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Artist:LordBastard
Duration:2:37
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Olha bem para este rectângulo, este ângulo de encanto,
Onde dizem que somos o canto do espanto e do queixume,
Mas o sol que aqui bate não é cinza nem lume de desmando,
É o brilho de um bando que, no meio do vituperio,
Faz deste império de sal um porto sem mistério,
Onde o tal "cu da Europa" é, afinal, o rosto que se põe,
Face ao mar que nos impõe a urgência de ser alguém.
​É de uma falta de educação, de uma falta de norte,
Dizerem que a nossa sorte é a morte da organização,
Quando a maior conspiração, a tal "corrupção" caseira,
É decidir na beira da estrada, entre a jola e a asneira,
Quem paga a rodada, quem limpa a passada,
Nesta paz de armada onde o ódio não cria raiz,
E o povo, infeliz de quem o diz, é quem melhor se condiz.
​E a corrupção? Ah, essa é de um rigor estético,
Um crime frenético de açúcar, canela e pastéis,
Corrompemos os papéis, as leis e os coronéis,
Com o cheiro da sardinha, com a linha da vizinha,
Que nos traz a meadinha do que resta da humanidade,
Nesta vaidade de sermos brandos sem sermos submissos,
Longe dos feitiços de um mundo que só sabe ser cruel.
​Somos tão atrasados que inventámos o infinito,
Quando o grito era o mito de um mar sem regresso,
E hoje, neste congresso de gente de insucesso,
Usamos o "desrascanço", esse balanço de instinto,
Que nenhum labirinto de Bruxelas consegue mapear,
Porque a nossa maneira de estar é uma forma de inteligência,
Uma ciência da paciência que o computador não sabe contar.
​Portugal não é o fim, não é o resto, não é o trapo,
Não é o sapo que se engole na mesa do orçamento,
É o momento, o alento, o rosto de um continente,
Que esqueceu como é ser gente, como é ser presente,
Sem o dente da ganância a morder a esperança,
Nós somos a herança da mesa farta e do abraço aberto,
O porto certo no deserto desta Europa gelada.
​Então, companheiro, que se lixe a estatística,
Essa mística logística que nos quer pôr na cauda,
Se a fraude é a pauta, se a alma nos falta,
Nós saltamos a vala e fazemos da fala a nossa arma,
Sem karma de coitadinhos, sem medo dos espinhos,
Que a gente inventa os caminhos enquanto houver vinho,
E este "jardim à beira do abismo" é o único sítio onde eu sei ser!